quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Incondicional.


Lucas estava folheando a sua agenda, e tentando memorizar os seus compromissos do dia seguinte. Eram muitos, e ele já estava cansado só de pensar na quantidade de lugares que teria que passar. A noite já tinha tomado lugar no céu, e a chuva caia com direito a trovões e raios. Os raios eram como flashes de uma camêra fotográfica e iluminavam a casa toda atravessando até as cortinas mais grossas e escuras. O barulho dos trovões estavam mais altos que o normal, e Lucas já estava começando a se assustar com a tesmpestade fora da sua casa.
Quase toda a sua vida ele morou com os seus pais e com a sua cadela, Jolie. Ela era de uma raça indefinida e tinha um amor imensurável por qualquer pessoa que a acariciasse. Faria 1 ano dali a umas semanas que ele tinha  embalado todas as suas coisas e se mudado para um apartamento na região serrana do Rio de Janeiro. Foi difícil, mas foi necessário. Seu sonho era crescer na sua profissão, de ser reconhecido, e ali estava uma oportunidade. 
Ele levantou-se e abriu uma fresta da cortina. A chuva estava mesmo muito forte. Da casa onde morava agora conseguia ver as árvores balançando pra lá e pra cá, e elas ameaçavam a cair a qualquer momento. Naquele final de semana, ele trouxe a sua cadela Jolie para passar uma estadia com ele. A saudade era muito grande, e dava nitidamente para perceber que ela também sentia a sua falta. Mas naquele momento em que a chuva caía, os raios eram fortes e os trovões muito altos, ela não parecia estar muito feliz. Estava aninhada no canto do sofá toda encolhida, tremendo e choramingando. Lucas saiu de perto da janela e foi acariciá-la. Ele deitou-se ao seu lado e ela se ajeitou até que os dois caíram no sono.
Pípí pípí pípí
O barulho constante e irritante fez Lucas e Jolie acordarem. Ele ainda grogue de sono, percebeu que a chuva só tinha aumentado de barulho, mas deu mais importância naquele momento de achar o barulho irritante e voltar a dormir. Era o seu celular apitando, uma nova mensagem. Ele piscou os olhos várias vezes para poder enxergar o que estava escrito. 
''Lucas, você está bem? Eu estava na internet e vi que a região perto da onde você mora está toda alagada e aconteceram vários deslizamentos de terra. Não consigo te ligar, me liga urgente. Cristiano.''
Lucas parou para pensar sobre a mensagem e dirigiu-se a janela que tava vista para a frente da sua casa, não tinha nada de anormal. Pensou ser mais uma brincadeira boba de seu irmão e voltou para o sofá aninhando Jolie ao seu lado. Segundos depois já estava dormindo novamente.
Vidro se quebrando, estacas de madeira lascando e choro foram os barulhos que Jolie escutava em seu sonho. Não, não era um sonho, era um pesadelo. E pior, um pesadelo real. Ela abriu os olhos e viu que estava sozinha no sofá. Olhou ao seu redor e viu uma janela da casa toda quebrada e quando olhou para cima, o teto estava desabando. Seus olhos procuravam por Lucas, mas seu corpo frágil e pequeno não se movia, ele tinha entrado em estado de choque. A única coisa que ela queria no momento era encontrar o seu dono fiel. Com muita força, conseguiu se levantar, mas era difícil manter o equilíbrio da maneira que o corpo dela tremia. Quarto, sala, cozinha, banheiro e nada dele. Ela vasculhou novamente todos os cômodos e nada. A casa estava bem diferente, tudo estava no chão, e a água já tinha tomado conta das suas patas e estava quase chegando ao seu corpo. A porta da casa estava aberta por um motivo desconhecido, e ainda com o objetivo de encontrar o seu dono, Jolie correu porta afora. 
A chuva do lado de fora era muito mais intensa, e em questão de segundos ela já estava encharcada. Os raios continuavam a iluminar o céu, e os trovões continuavam a fazer barulhos muito altos. Mesmo com a visão turva, ela continuava procurando na escuridão, e contava com a ajuda do seu olfato para isso. Mas estava complicado, o cheiro de barro era muito forte. Jolie podia ouvir a metros de distância choro de pessoas agoniadas. Ela queria ajuda-las, mas antes teria que encontrar o seu dono. O seu único dono. 
A noite parecia eterna, e a escuridão e a chuva não cessavam. Suas patinhas estavam sangrando porque pedaços de vidro era o que mais tinha no chão. Mas Jolie era forte mentalmente, ela teria que achá-lo. 
Jolie fungou o nariz e sentiu um cheiro familiar. Tentou seguir aquele cheiro, e cada vez mais ele parecia estar mais próximo. Depois de um longo tempo ela avistou um cabelo conhecido. Era ele, era o Lucas. Correu com todas as suas forças e chegou ao local onde ele estava. Jolie estava confusa, ela sabia que era o seu dono, mas ele parecia tão diferente. Estava deitado no chão, de barriga para cima, e seus olhos estavam abertos e vidrados. Suas mãos estavam diferentes, e o seu peito não se movia mais para cima e para baixo para ela tentar sincronizar sua respiração com a dele. 
A pobre cachorrinha estava pensando que aquilo só seria mais uma das suas inúmeras brincadeiras, dali uns minutos, ele levantaria todo alegre e a assustaria. Brincadeira de finge-de-morto. Ela adorava e demostrava isso com umas lambidas no rosto. Aninhou a sua cabeça perto do pescoço dele, e deu umas lambidas no seu rosto antes de deitar e fechar os olhos. 
Jolie sentiu um par de mãos pegar o seu corpo e levanta-la. Por um momento pensou que fosse Lucas que finalmente tinha dado um fim aquela brincadeira sem graça que estava durando mais tempo que o normal. Mas quando abriu os olhos, viu que era um outro homem que tinha um capacete na cabeça. Ele a deixou um pouco mais longe de Lucas, e ela não entendeu o porquê. O corpo ainda continuava na mesma posição, e Jolie estremeceu..
Os homens de capacete levaram o seu dono. Por alguma razão, deixaram Jolie ali. Ela pensou que Lucas a qualquer momento voltaria para buscá-la, afinal, ele a amava e já tinha dito isso várias vezes. E quem ama, não esquece. Ele não esqueceria dela, e ela tinha mais que certeza absoluta disso.
Provavelmente já se tinham passado vários dias desde que levaram Lucas. Jolie sabia disso porque a fome que ela sentia era tanto que ela não conseguia mais nem levantar. Os machucados da sua patinha estavam cada vez mais expostos e doíam muito, mas muito mesmo. Ela estava confusa, porque ele ainda não tinha voltado para pegá-la? Fechou os olhos novamente e desejou sentir as suas mãos acariciando o seu pelo.
Um homem de capacete a avistou e deu-lhe água e um pedaço de chocolate que trazia no bolso. Ela comeu em 2 segundos. Ele coçava a cabeça, um gesto que os humanos faziam quando não entendiam o que estava acontecendo muito bem. Pegou uma coisa pequena e preta dentro do bolso, levou essa coisa a orelha e começou a falar. O homem de capacete abaixou-se e acariciou a sua cabeça.
''Pobre cadelinha'' - ele murmurou.
Um tempo depois mais homens de capacete apareceram, e um deles espetou uma cruz marrom do lado da cachorrinha, e rezou uma oração. O mesmo homem que a tinha acariciado, perguntou se ela queria ir pra casa. Ela entendia essas palavras, entendia o seu significado. Mas ela não se mexeu. Apesar de querer ir pra casa, ela sabia que a casa que ele se referia não tinha o Lucas. 
Ela só iria pra casa nos braços do seu dono, o seu único e fiel dono. 
Os homens acariciaram Jolie mais uma vez, e foram se distanciando cada vez mais, deixando água e comida ao seu lado. 
A partir dali, ela não sabia o que deveria fazer. Só sentia que deveria esperá-lo voltar. Ele iria voltar, porque não voltaria? Sim, ela esperaria ele voltar. Ela esperaria a próxima vez que brincaria com ele novamente, mesmo que para isso acontecer ela tivesse que ir para o paraíso, Jolie iria.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dose certa.

Sumir de vez em quando é bom, muito bom. Porque é só assim que você percebe quem realmente sente a sua falta, e quem sentir, com certeza irá atrás de você, não tenha dúvidas. Mas também não suma sempre, porque uma hora a pessoa cansa de te procurar, o amor cessa e então ela procura outra mais disponível. Seja o equilíbrio, seja a dose certa, surpreenda da melhor maneira. Porque esse é o jogo da vida, e você tem que aprender a jogá-lo, porque caso contrário... não sei. Sabe, as vezes é bom não seguir as regras, não fazer tudo que os outros dizem, porque quem mais pode saber o que é bom pra você a não ser você mesmo? Só você sabe o que deve ou não fazer. Mas também não desobeça as ordens sempre, seja o equilíbrio, a dose certa.
Cada um tem o seu jeito de viver, ache o seu. Mas sempre.... ah, você sabe como!

Tente, apenas tente.

Porque a vida tem que ser assim, cruel? Porque temos que perder quem mais amamos? Porque temos que chorar e se decepcionar? Porque temos que fazer as coisas se quisermos conquistá-las? Porque?
Eu não sei, você não sabe, provavelmente Ele também não sabe.
Será que não foi nós que fizemos isso acontecer? Será que não é tudo culpa nossa? Será que não deixamos as coisas sair do controle? Eu acho que sim. Ok, mais e agora? Eu te digo: e agora nada.
Você vai continuar vivendo a vida do jeito que ela é, cruel. Não acredito em quem diz que é feliz 24 horas por dia e 365 dias por ano, não acredito mesmo. Se isso for verdade, eu invejo muito essa pessoa. Não consigo estar feliz por 24 horas seguidas, imagina o ano inteiro ou então a vida inteira?
Pra mim é impossível de imaginar. Mas tente seguir essa meta. Apenas tente. Porque você vai morrer mesmo de um jeito ou de outro.
Se você não conseguir, um outro motivo surgirá pra fazer você abrir um sorriso!

Nada disso.

Cansei de me preocupar com as outras pessoas. Simplesmente cansei. Porque ninguém se preocupa com você da maneira que você se preocupa. Ninguém. É assim, você pensa que essa pessoa daria a vida dela por você, pensa que ela faria qualquer coisa pra estar ao seu lado, pensa que você era a coisa mais importante na vida dela, mas na verdade você não é nada disso.
Nada disso.

A cada lágrima derramada.

A cada lágrima derrumada um novo aprendizado. Nós só aprendemos da pior maneira, errando. Sim, e é com os erros que construímos os acertos. Mas não é tão simples assim, o caminho entre um e outro é longo e tenha certeza absoluta que é doloroso, muito doloroso.
É com as lágrimas que você lava a sua alma, o seu espírito. É com elas que você sabe em quem pode realmente confiar em todas as horas e momentos: em ninguém - exceto você. Não, você não leu errado, não podemos confiar em ninguém. Porque uma hora essa pessoa vai te decepcionar de tal forma que o máximo que você pode fazer vai ser chorar.
Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Sinto-lhe informar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Listen: If I die young


The Band Perry é banda americana de música country americana que é composta por três irmãos, Kimberly Perry, Reid Perry e Neil Perry. Eles lançaram dois super hits em 2009, e um deles é ''If I die young''. O trio não é muito reconhecido aqui no Brasil, mas tem músicas super animadas e com letras engraçadas, e algumas até meias complexas, eu diria.
Enjoy!

Apenas.


Procuro, procuro, procuro e nunca acho um manual de instruções de como sobreviver a vida. Talvez esse manual não exista. Talvez não, eu tenho certeza que ele nem sequer está em produção. Não há um jeito ''certo'' ou um jeito ''errado'' de viver a vida. Apenas há o jeito. Mas afinal, que jeito é esse? Ah, quando você conseguir a resposta dourada, pode gritar para o mundo inteiro porque eu tenho certeza que eles vão querer te ouvir. Sinto-lhe informar que eu acho que isso nunca vai acontecer. 
Nós nos acostumamos com a vida. Nos acostumamos com a rotina. Com as pessoas. Com as regras. Com todas as coisas. E quem não se acostuma simplesmente não vive nessa sociedade. Parece que essa sociedade individual, egocentrica e egoísta é a sociedade ideal. Mas não é. É a única que existe, é aquela que acostumamos.
Bleh, bleh, bleh. Viva e esqueça o resto. Esqueça os problemas por um momento. Esqueça a rotina, as regras, as pessoas e a sociedade. Apenas viva.

Superação.


Ninguém está completamente feliz. Ninguém. Que atire a primeira pedra quem dizer que é completamente feliz todos os momentos da vida. Quem nunca teve um dos dias que pensou em desistir de tudo? Pois eu respondo, todos nós já tivemos e vamos ter muito mais desses momentos ainda pela frente. A vida não é perfeita, ela não foi designada para isso. Ela foi feita para nos ensinar que se nós caírmos 1, 2 ou 3 vezes, vamos levantar. E depois disso, temos que levantar a cabeça e continuar a luta. A luta para a felicidade. Essa luta não é fácil, nunca ninguém disse que seria, e quem afirmar isso, com certeza tem uns parafusos soltos na cabeça. As vezes a felicidade que nós tanto lutamos não é possível conquistá-la. As vezes o guarda-chuva que temos é muito pequeno para a tempestade que está por vir. E quando isso acontecer, supere. Essa é a palavra chave: superação. Superar e continuar a viver. Porque só ganhamos uma vida, e mais nenhuma. Temos que faze-la valer a pena. Faça.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Eterno.


Eles eram jovens demais. Um amor que surgiu ali, no ápice da inocência. Um amor que foi crescendo, e que um dia atingiu aqueles dois frágeis corações. Almas gêmeas talvez. Mas o destino era forte demais, tinha algo reservado para eles. Algo não muito bom, infelizmente. Ou era bom, depende do ponto de vista.
Seu casamento seria dali 3 semanas. Os nervos estavam á flor da pele. Estavam felizes. Finalmente iriam se juntar. A noite estava escura demais, a chuva não parava de cair, ela estremecia a cada trovão que fazia barulho no céu. O caminho da casa dele até a sua casa não era muito longe, mas com a chuva, parecia que o tic tac do relógio não tocava. Ela sentiu um tremor percorrer a sua espinha quando viu um farol que machucou os seus olhos em sua direção. Tentou desviar o carro, mas a pista estava escorregadia demais. Vidro quebrado. O último barulho que ela ouviu na sua vida. Eu te amo, o último pensamento seu.
Ainda chovia anos depois. Ele ainda pensava nela. Ainda pensava como seria se ela estivesse ali do seu lado. Como seria se ele pudesse sentir o seu beijo naquele momento. Como seria ouvir a sua risada. Suas lágrimas se juntaram com a água da chuva que escorria pelo seu corpo. Ele não queria mais viver. Não sem ela. Não havia mais escolha, não havia mais opções. Não havia mais nada dentro dele além de culpa. Sim, ele se sentia culpado pela morte da única pessoa que ele foi capaz de amar. Na noite do acidente, ela tinha ido a casa dele com muita insistência de sua parte. Ela não queria, dizia que no outro dia ia lá, mas ele insistia, dizia que era importante. Ela foi e teve a melhor noite da sua vida. Flores, velas, laços, amassos, beijos e palavras carinhosas.
Ela entrou no seu carro com um sorriso de orelha a orelha, com o seu ego renovado, com o seu amor por ele só aumentando. Mas o destino não deu trégua, o acidente aconteceu. Ele não queria admitir que fora coisa do destino, ele se culpava porque se não tivesse insistido para ela ir a sua casa, ela ainda estaria ali - viva ao seu lado.
Engano dele. O destino é algo que ninguém conhece e que ninguém entende. É algo que quase ninguém concorda. Mas é algo que as pessoas esquecem que é essencial. Algo mais poderoso que todos, algo que ninguém pode fugir. Algo que devemos encarar.
Ele saiu da chuva. Já não sabia mais o que pensar. Decidiu viver até que o destino decidisse levá-lo. Mas ele rezava todas as noites, pra que quando chegasse o dia da sua partida, ele tivesse o direito de viver ao lado dela por toda a eternidade no paraíso.
Suas preces foram ouvidas.



Listen: The Band Perry - If I Die Young