quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lágrimas

Ela não podia acreditar que o que estava vendo era verdade; Não podia acreditar que alguém fosse capaz de machucá-la de tal maneira; Não conseguia acreditar que tamanha crueldade fosse bater na sua porta; Não conseguia acreditar que diferentemente dos seus sonhos de criança, o mundo não era perfeito;

Agora, ela não acreditava em mais nada. Não acreditava na sua vida; Não acredita em ninguém ao seu redor; Não acreditava nem mesmo em sua própria sombra.
A partir daquele momento, sentiu solidão. Sentiu como se estivesse sozinha no mundo; Sentiu como se pudesse perder a pessoa mais especial que tinha, a qualquer momento; Sentiu que a vida talvez, não valesse a pena. Sentiu que uma tragédia poderia ser cometida em segundos.
Seus olhos se enchiam de lágrimas todas as vezes que cogitava pensar no assunto. Era impossível superar aquela dor. Naquele momento, para ela, era impossível pensar em um novo começo. Em um começo feliz.
Felicidade para ela, agora era apenas mais uma palavra impressa no dicionário. Felicidade não existia. Quem dizia que era feliz, estava apenas vestindo uma capa de pessoa perfeita; Ela passou a pensar que era impossível encontrar a felicidade novamente.
Então, o que decidiu fazer, foi rezar. Entregou tudo nas mãos de Deus. Com todas as suas forças, rezou para que Deus realmente a ajudasse a superar tudo aquilo. E o seu final, ninguém sabe. Nem mesmo ela, nem mesmo Deus. Só o destino que poderá dizer. Até lá, muitas idas e vindas iriam acontecer.

                                                     Lariza L.

domingo, 22 de agosto de 2010

Ela

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E foi como um despertador tocando, ou como um estalar de dedos impacientes no seu ouvido. Tudo aconteceu tão insperávelmente que é dificil de acreditar naquelas palavras. Palavras que nunca deveriam ser ditas. Palavras que causaram um impacto de dor e ódio ao mesmo tempo. As nossas vidas se resumem a palavras, e por isso temos de escolhe-lás muito bem. Mas não foi o que essa pessoa fez. Ela simplesmente as disse. As disse como se não fossem nada demais, como se fosse algo natural, previsível. Praticamente impossível de acreditar que aquelas palavras formaram uma frase que jamais irá sair da minha cabeça. Porque tanta crueldade? Foi como se essa pessoa achasse que ninguém tem o direito de errar, que apenas ela está certa, e que o mundo deveria girar ao seu redor. E pior, quem contrariar, pagará. Foi como se Deus enviasse todo o sofrimento para o meu endereço. Ameaça, pra ser exata. Ameaças são feitas constantemente, mas o complicado, é quando você, lá no fundo, percebe que ela pode se transformar de ameaça em um fato. Nada mais cruel que aquelas palavras, nada. Nada tirará a dor que agora carrego no meu peito. Se algo acontecer, ou melhor, nada irá acontecer. Não sei mais o que pensar, nem oque dizer e muito menos o que fazer. A única certeza é que o perdão não existe, e nunca irá existir.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Vitória


O dia estava nublado e chuvoso. Para a maioria das pessoas, em um dia como esse, era dificil de receber alguma notícia boa. Mas Margareth não fazia parte dessa parcela da população. O que os seus olhos estavam enxergando naquele momento, era a coisa mais linda que ela já havia visto.

''Depois que descobriu a gravidez aos 16 anos de idade, a sua vida mudou completamente. Alguns de seus colegas passaram a olhá-la como algo nojento, repugnante. Sua mãe chorava todos os dias, e ficava com um terço na mão perguntando á Deus o porque justo a sua filha tinha de engravidar antes do tempo. Seu pai apenas guardou as emoções para si mesmo. Não chorou e nem gritou. A sua reação era balançar a cabeça negativamente toda a vez que seu olhar encontrava a sua ex-filha. Sim, ele passou a pensar que ela não era mais a sua filha, já que uma vez, tinha se envolvido sexualmente com o seu namorado - do qual ele não queria nem ver pintado de ouro. Da sua família, ninguém a apoiava. Então Margareth decidiu contar para o namorado sobre a gravidez. Quando ela o fez, surpreendentemente Tiago a tomou em seus braços, e a rodopiou no ar. Finalmente ela pôde suspirar aliviada. Agora sabia que poderia contar com pelo menos uma pessoa.''
Todas essas lembranças passaram-se em segundos na mente de Margareth. Finalmente ela havia chegado a conclusão de que todos os acontecimentos, bons ou ruins, serviram para que ela estivesse ali, sentada na cama do hospital com uma bebêzinha nos braços. A neném dormia tranquilamente enquanto a sua mãe a analisava da cabeça aos pés. Sua pele era branca como a da mãe, suas mãozinhas tão pequenas que pareciam que podiam quebrar a qualquer momento e, seu cabelo escuro. Margareth só ficou um pouco desapontada porque o seu maior desejo era ver os olhinhos da neném.
Uma porta se abriu, e passos apressados iam se aproximando cada vez mais. Era o Tiago, o pai da neném. No momento em que sua namorada, e sua filha entraram no seu campo de visão, ele teve que segurar as lágrimas. Depois de alguns instantes observando as duas, ele beijou a testa da Margareth, e perguntou-lhe se podia pegar a sua filha no colo. Ela assentiu, e entregou a neném nos seus braços.
-Minha garotinha linda - ele sussurou olhando para aquele rosto que agora se tornaria familiar.
Como se já conhecesse a voz de seu pai, lentamente a neném abriu seus delicados olhos. Os olhinhos dela eram grandes, castanhos e completamente cativantes.
-Vitória, esse é nome da nossa garotinha - Margareth exclamou - Vitória - ela repetiu com orgulho.
Uma lágrima escorreu pelo canto do olho de Tiago, e caiu no rosto da neném. Ele se apressou para limpá-la.
-Vitória - concordou ele.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Reencontro

Já era tarde e Karina ainda não havia decidido a sua roupa. Ela achava que a ocasião era especial demais para todas as roupas que ela tinha. Afinal, hoje iria reencontrar o seu namorado que finalmente havia terminado de cumprir o seu mandato no exército. Depois de um ano de muita saudade, finalmente o esperado dia tinha chegado. Karina, por sua vez, estava ansiosa como nunca. Ricardo também estava, mas como ele havia aprendido no exército, não deveria demostrar as suas emoções com tanta intensidade.
Depois de algumas horas, ela finalmente se decidiu. Vestiu um vestido preto, com sandálias vermelhas. Casual, ela pensou. Pela visão de qualquer outro homem, ela estava impecável, mas como todas as mulheres são iguais, ela encontrava defeito em tudo.
Ricardo derrotado pela ansiedade, já esperava Karina dentro do restaurante. Sua mente trabalhava a mil por hora. Ao mesmo tempo que pensava em várias coisas, ficava olhando ao seu redor tentando visualizar a mulher mais linda que já havia visto.
E finalmente, os olhares deles se encontraram. A emoção do momento foi mais que especial, foi inexplicável. Foi como se eles nunca tivessem se separado, e a saudade naquele momento, só seria extinta com um toque. Um toque para provar que eles realmente estavam ali. Era até dificil de acreditar, mas por fim, lágrimas escorreram pelo rosto de Karina e pelo rosto do Ricardo. Lágrimas quentes, que significavam alegria. Lágrimas que serviram para limpar as suas almas, e dar inicio á uma nova história juntos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vivendo o irreal


E então ela achava que a sua vida caminhava em direção a perfeição. Que seus pais não brigavam mais, que o seu ficante morria de amores por ela, que seus amigos conspiravam para deixá-la feliz, e que finalmente havia achado o seu lugar no mundo. Mas aí, ela abriu os olhos e acordou. Acordou para a realidade. Percebeu que seus pais brigavam sim, e muito por sinal, percebeu que o seu ficante não morria de amores por ela. Percebeu também que seus amigos não estavavam conspirando para a sua felicidade. E pior, percebeu que não tinha encontrado o seu lugar no mundo. Tudo que havia vivido, fora um disfarçe, uma farsa. As máscaras finalmente cairam, e ela percebeu que foi tirada do seu conto de fadas e levada para a realidade. Todas essas infelizes descobertas, serviram para abalar o seu ego. Ela se lamentou, mas não deixou que isso a abalasse por muito tempo. Decidiu que iria respirar fundo e levantar a cabeça!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Na sombra


'' Ano novo, vida nova '' eu li essa frase em um outdoor á caminho da minha nova escola. Quando desci do carro que estava parado na porta do colégio, minhas pernas começaram a tremer de nervoso.

Como todos os anos, minha expectativa não era nenhuma das boas. Então, quando o sinal tocou e eu fui para a aula, as minhas hipóteses se confirmaram. As aulas eram chatas, barulhentas e sem-graça.
''Cada dia uma nova tortura'', essa era a minha frase coringa no momento em que um alguém desconhecido sacudiu meus ombros que estavam debruçados sob a carteira.
-Muito bem, mocinha. Pode ir dormir lá diretoria - o Sr. Adolfo que era careca e tinha uma barba branca estilo papai noel falou com uma voz firme.
Ótimo, até meio minuto atrás eu até tinha esperança de que um menino iria me acordar carinhosamente e não um professor velho e careca.
Fui até a sala da diretora Vânia, e fui obrigada a assinar um livro com uma capa preta que tentava provocar medo nas pessoas, mas isso não funcionou comigo. Ela me disse para eu ir para o pátio esperar a minha mãe porque eu estava suspensa. Mais que drama, eu tiro um cochilo e sou suspensa no primeiro dia de aula?
Sentei-me na sombra do ipê amarelo todo florido que se destacava no canto do pátio, e fiquei pensando em alguma bobagem insignificativa.
- Até você suspensa?
A voz fez os meus olhos levantarem e encontrarem um rapaz de cabelos negros ajeitados com gel e olhos cor de safira que se penetravam nos meus.
- É, parece que não sou a única - eu disse ainda sentindo o efeito colateral de energia que ele me provocou.
- Ahn .. Erik - ele disse seu nome mordendo os lábios que seguravam uma gargalhada.
- Vanessa - eu me apresentei sorrindo.
Sem cerimônia, ele se juntou a sombra do ipê, e se sentou ao meu lado. Naquele momento, eu desejei que minha mãe ficasse presa no trânsito por um bom tempo.
Eu já estava abrindo a boca pra falar quando o tio do portão fez um gesto me chamando.
-Ai, droga - meu pensamento saiu em voz alta.
Com um sorriso meio tristonho, o Erik soltou um: ''até amanhã''.
No dia seguinte eu estava batendo o pé ansiosa esperando o sinal do intervalo tocar, e nesses instantes só conseguia me recordar na química que tinha rolado entre nós no dia anterior.
No intervalo não foi dificil encontrá-lo, e como quase de costume, nos sentamos em baixo do ipê amarelo e ficamos falando bobagens legais de adolescentes.
Semanas a fora, os intervalos na escola eu sempre passava com ele, e ele comigo. E aquilo me fazia muito, muito, mas muito feliz.
Eu estava o esperando já sentada, até que o Erik chegou e sentou ao meu lado ajeitando os cabelos. Pela primeira vez, eu tive a impressão que o coração dele se enchia de alegria como o meu, mas desta vez era uma como se fosse um sentimento mais intenso.
Ele não disse nada, e levou suas mãos sedosas no meu rosto, e o acariciou. Ele sussurou algo que dizia que eu era muito importante para ele, mais eu estava tão hipnotizada que não pude dizer o mesmo.
Nossos lábios se tocaram e nos beijamos intensamente. Quando acabamos, quase que automaticamente nos levantamos, e eu entrelaçei os meus dedos nos deles e saímos andando da sombra do ipê.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Noites estreladas.

Respirei fundo, criei coragem e saí do carro que estava quase colado no chão de tantas malas que ele carregava. O hotel azul, com uma altura incontável, crianças se divertindo, e funcionários treinados. Para uma pessoa de primeira viagem, aquele lugar parecia quase perfeito para passar as férias. Mas como eu não era marinheira de primeira viagem, sabia que tudo aquilo seria a mesma coisa chata de todos os anos. Eu digo, literalmente todos os anos da minha vida, que venho passar as férias naquele hotel de luxo que me irritava tanto.
A minha irmã Caroline, bateu no meu ombro e gritou: Patriiiicia! Todo esse escândalo para eu acordar das minhas lamentações.Não respondi nada a ela, e fui direto ao meu quarto, que graças a Deus, tinha mudado a decoração.
O sol se pôs, e a noite caiu com uma lua cheia e estrelas iluminando o céu. Já era tarde, e todos no quarto estavam dormindo já dominados pelo cansaço. Eu não me rendi, sai do quarto e fui andar no jardim botânico iluminado ainda com luzes natalinas.
Deitei-me na grama e fiquei admirando a noite. Ouvi uma música de fundo suave e linda. Fiquei curiosa, me levantei e segui a melodia.
Sentado sob uma toalha branca, de pernas cruzadas e com um violão preto que parecia ter acabado de ser polido, estava um rapaz com cabelos loiros bagunçados.
- Oi – eu disse sorrindo cautelosa.
Ele arregalou os olhos surpresos e me retribuiu um oi seguido de um sorriso com fileiras perfeitas de dentes branquíssimos.
Quando eu sentei-me ao seu lado, uma corrente elétrica de alegria arrepiou o meu corpo inteiro. O rapaz continuou a tocar aquela melodia de minutos atrás.
Passamos a noite conversando. Ele se chamava Roberto, tinha 17 anos e estava naquele hotel obrigado pelos pais, assim como eu.
No dia seguinte, passei o dia ansiosa, contando os segundos para anoitecer.Sim, ele estava lá, no mesmo lugar, mais sem o violão. Estranhei. Ele explicou que queria somente conversar comigo.
Todas as noites seguintes eu me encontrava com ele. Rob era como um amigo de infância. Mas, tanto eu quanto ele, sabíamos que sentíamos mais que amizade um pelo outro.
A semana se passou, e era véspera da minha partida. Pela 1ª vez, eu não queria ir embora, tinha medo que a minha quase amizade colorida acabasse.
A noite caiu, e fui me despedir. Rob estava de cabeça baixa e batendo o pé ansiosamente. Eu cheguei mais perto, segurei a sua cabeça com as minhas mãos e a ergui:
- Não fica assim. – eu disse triste.
Ele se aproximou mais e mais, e com seus lábios irresistíveis, beijou-me.
Meu Deus, que verão maluco tinha sido aquele?
Lembrei-me de tudo isso, só que o ding-dom da campainha me despertou das recordações mágicas com ele.
Corri e abri a porta. Era o florista, ele me entregou um buquê de rosas vermelhas com o seguinte bilhete:
“ Cuide de meu coração, ele está com você, Rob ’’.