Mudei muito e, ao mesmo tempo, nada. Achei que tivesse mudado tanto, que agora estaria vivendo plena e totalmente minha vida como eu queria, mas, no fundo, é tudo uma ilusão.
Consegui sair da casa dos meus pais, que era o que eu mais queria nos meus 17 anos, e sai. Achei que ter toda a liberdade do mundo era a única coisa que eu precisava para ser feliz. Ah, que doce engano. Hoje me vejo trancada em casa o dia todo odiando minha faculdade, me sentindo sem amigos e me perguntando porque estou longe da minha família.
Sempre que volto para minha cidade, não me sinto mais parte dela. Sinto que não há mais espaço para mim no mundo. Ninguém realmente se importa comigo.
Estou confusa. Escrever tem sido uma tarefa difícil. Tudo que eu faço no meu dia é uma tarefa difícil. Não tenho vontade de sair de casa para nada. Ir almoçar, ir no shopping, ir fotografar, ir para faculdade, tudo é um sacrifício. Me pergunto porque isso está acontecendo comigo. A Lariza criança não se orgulharia disso.
Passo o dia navegando de uma rede social para outra. Clica aqui, clica ali. E aí entre isso faço um pouco do que tenho que fazer. Depois volto para as redes sociais. Me sinto enraizada nesse apartamento de merda. Esse quarto gigantesco mas tão vazio. Essa vista infernal para outros prédios. A distância com qualquer contato humano notável. A faculdade que é uma bosta. As pessoas todas politicamente corretas que se importam muito com o mundo.... quer dizer, com elas mesmas. Ninguém está afim de escutar o problema do outro. Se escuta, é por obrigação de ''cumprir'' seu papel como amigo.
''They're too busy with their own problems''.
Sinto falta da minha adolescência. Quando eu vivia tudo intensamente. Se estava brava, explanava isso e sentia isso. Se estava feliz, a mesma coisa. Agora, não. Ninguém quer saber se estou brava, feliz, triste, magoada ou incomodada. Podem até dizer que querem, mas, eu sei que no fundo, ninguém se importa.
Minha vontade é só de chorar até tudo isso um dia, quem sabe, passar.
Meus pais não me entendem. Eu não os entendo.
Meu namorado não me entende. Ele tenta.
Meus amigos não se importam em me entender. Eu nem tenho mais amigos.
Eu moro sozinha. Eu trabalho agora. Eu sou quase-adulta. Compro tudo que eu quero com meu dinheiro (quase tudo). Eu saio e volto a hora que quiser sem ter de falar para ninguém. Ninguém se importa se estou na porra da rua, da faculdade ou da minha casa.
E eu não sei porque eu quero que as pessoas se importem. Eu não sei se é isso que eu quero. Eu não sei.
Achei que quando eu morasse sozinha, tivesse meu emprego, tivesse um namorado que pudesse dormir comigo, morasse num apartamento na frente da praia e ouvisse o barulho do mar quando fosse dormir, eu estaria completa. Quanta ingenuidade.
Eu sempre soube no fundo que essa história de estar completa não existe. Mas, ao menos, antes eu conseguia lidar com isso.
Agora, não consigo lidar mais.
Não me sinto viva.
Não me sinto importante.
Ele me ama. Eu não sei se o amo como deveria.
Não sei se eu duvido disso porque não estou bem comigo mesma.
Ele tem 28 anos e eu nem fiz 20 ainda. Isso nunca me incomodou. Mas, pensar nisso, incomoda.
Ele é parado. Eu gosto de ser agitada. Eu fiquei parada. Não é culpa dele. É?
Queria sentir tudo intensamente quanto eu sentia quando era adolescente. Queria amar intensamente. Queria chorar intensamente. Queria achar que o mundo vai acabar porque ele não quis sair comigo. Queria gritar de alegria quando ele me mandasse um ''eu te amo''. Queria me achar super realizada porque eu consegui comprar aquele sapato sem o dinheiro dos meus pais. Queria ir ver meus pais e ficar muito feliz ou muito puta.
Queria que alguém soubesse o que estou sentindo e me dissesse o que é isso.
Esses dias encontrei um pendrive com todas as fotos antigas que eu tinha minha e do rapaz para o qual eu escrevi nesse blog boa parte da atividade dele.
Chamei-o no facebook. Foi ótimo e foi uma merda. Passaram-se 6 anos. Seis anos. Seis anos que você se relacionou com uma pessoa que era tudo para você e que hoje em dia vocês não se veem há o que, 3 anos?
Esses dias conversei com meu ex no whattsapp. Depois de muito tempo brigados. Achei que pudéssemos ser amigos, até que, obviamente, ele escolheu não falar mais comigo por conta da namorada.
Esses dias mandei mensagem para aquela menina depois de a encontrar no shopping depois de um ano. Ela visualizou. Não respondeu.
Eu achava que tinha 2 grandes amigos. Mas, aí, começo a achar que a amizade deles comigo se baseia no interesse do ''pombo correio'' que torno a ser da relação conturbada deles que ninguém além de mim realmente se importa e dispõe de tempo para escutar.
Eu tinha muito dinheiro para comprar um conjunto de roupa que eu quisesse no shopping. Nenhuma roupa me agradou.
Meu aniversário é daqui menos de 1 semana e eu não tenho nada planejado que realmente queira fazer além de almoçar no Outback com uma pessoa que eu não sei se quero passar o meu aniversário inteiro com ela porque não a mereço. Não estou bem comigo mesma, muito menos para passar o meu dia agradando os outros, sorrindo para não perguntarem o que está acontecendo, ou, aceitando que eu estou mal e apenas olhando para mim com cara de dó e não sabendo me fazer sentir especial nessa porra de dia que dou tanta importância.
Mas eu estou bem. Se você me ver, vou sorrir para você como se eu estivesse tendo um ótimo dia.

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