quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Noites estreladas.

Respirei fundo, criei coragem e saí do carro que estava quase colado no chão de tantas malas que ele carregava. O hotel azul, com uma altura incontável, crianças se divertindo, e funcionários treinados. Para uma pessoa de primeira viagem, aquele lugar parecia quase perfeito para passar as férias. Mas como eu não era marinheira de primeira viagem, sabia que tudo aquilo seria a mesma coisa chata de todos os anos. Eu digo, literalmente todos os anos da minha vida, que venho passar as férias naquele hotel de luxo que me irritava tanto.
A minha irmã Caroline, bateu no meu ombro e gritou: Patriiiicia! Todo esse escândalo para eu acordar das minhas lamentações.Não respondi nada a ela, e fui direto ao meu quarto, que graças a Deus, tinha mudado a decoração.
O sol se pôs, e a noite caiu com uma lua cheia e estrelas iluminando o céu. Já era tarde, e todos no quarto estavam dormindo já dominados pelo cansaço. Eu não me rendi, sai do quarto e fui andar no jardim botânico iluminado ainda com luzes natalinas.
Deitei-me na grama e fiquei admirando a noite. Ouvi uma música de fundo suave e linda. Fiquei curiosa, me levantei e segui a melodia.
Sentado sob uma toalha branca, de pernas cruzadas e com um violão preto que parecia ter acabado de ser polido, estava um rapaz com cabelos loiros bagunçados.
- Oi – eu disse sorrindo cautelosa.
Ele arregalou os olhos surpresos e me retribuiu um oi seguido de um sorriso com fileiras perfeitas de dentes branquíssimos.
Quando eu sentei-me ao seu lado, uma corrente elétrica de alegria arrepiou o meu corpo inteiro. O rapaz continuou a tocar aquela melodia de minutos atrás.
Passamos a noite conversando. Ele se chamava Roberto, tinha 17 anos e estava naquele hotel obrigado pelos pais, assim como eu.
No dia seguinte, passei o dia ansiosa, contando os segundos para anoitecer.Sim, ele estava lá, no mesmo lugar, mais sem o violão. Estranhei. Ele explicou que queria somente conversar comigo.
Todas as noites seguintes eu me encontrava com ele. Rob era como um amigo de infância. Mas, tanto eu quanto ele, sabíamos que sentíamos mais que amizade um pelo outro.
A semana se passou, e era véspera da minha partida. Pela 1ª vez, eu não queria ir embora, tinha medo que a minha quase amizade colorida acabasse.
A noite caiu, e fui me despedir. Rob estava de cabeça baixa e batendo o pé ansiosamente. Eu cheguei mais perto, segurei a sua cabeça com as minhas mãos e a ergui:
- Não fica assim. – eu disse triste.
Ele se aproximou mais e mais, e com seus lábios irresistíveis, beijou-me.
Meu Deus, que verão maluco tinha sido aquele?
Lembrei-me de tudo isso, só que o ding-dom da campainha me despertou das recordações mágicas com ele.
Corri e abri a porta. Era o florista, ele me entregou um buquê de rosas vermelhas com o seguinte bilhete:
“ Cuide de meu coração, ele está com você, Rob ’’.

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