sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Na sombra


'' Ano novo, vida nova '' eu li essa frase em um outdoor á caminho da minha nova escola. Quando desci do carro que estava parado na porta do colégio, minhas pernas começaram a tremer de nervoso.

Como todos os anos, minha expectativa não era nenhuma das boas. Então, quando o sinal tocou e eu fui para a aula, as minhas hipóteses se confirmaram. As aulas eram chatas, barulhentas e sem-graça.
''Cada dia uma nova tortura'', essa era a minha frase coringa no momento em que um alguém desconhecido sacudiu meus ombros que estavam debruçados sob a carteira.
-Muito bem, mocinha. Pode ir dormir lá diretoria - o Sr. Adolfo que era careca e tinha uma barba branca estilo papai noel falou com uma voz firme.
Ótimo, até meio minuto atrás eu até tinha esperança de que um menino iria me acordar carinhosamente e não um professor velho e careca.
Fui até a sala da diretora Vânia, e fui obrigada a assinar um livro com uma capa preta que tentava provocar medo nas pessoas, mas isso não funcionou comigo. Ela me disse para eu ir para o pátio esperar a minha mãe porque eu estava suspensa. Mais que drama, eu tiro um cochilo e sou suspensa no primeiro dia de aula?
Sentei-me na sombra do ipê amarelo todo florido que se destacava no canto do pátio, e fiquei pensando em alguma bobagem insignificativa.
- Até você suspensa?
A voz fez os meus olhos levantarem e encontrarem um rapaz de cabelos negros ajeitados com gel e olhos cor de safira que se penetravam nos meus.
- É, parece que não sou a única - eu disse ainda sentindo o efeito colateral de energia que ele me provocou.
- Ahn .. Erik - ele disse seu nome mordendo os lábios que seguravam uma gargalhada.
- Vanessa - eu me apresentei sorrindo.
Sem cerimônia, ele se juntou a sombra do ipê, e se sentou ao meu lado. Naquele momento, eu desejei que minha mãe ficasse presa no trânsito por um bom tempo.
Eu já estava abrindo a boca pra falar quando o tio do portão fez um gesto me chamando.
-Ai, droga - meu pensamento saiu em voz alta.
Com um sorriso meio tristonho, o Erik soltou um: ''até amanhã''.
No dia seguinte eu estava batendo o pé ansiosa esperando o sinal do intervalo tocar, e nesses instantes só conseguia me recordar na química que tinha rolado entre nós no dia anterior.
No intervalo não foi dificil encontrá-lo, e como quase de costume, nos sentamos em baixo do ipê amarelo e ficamos falando bobagens legais de adolescentes.
Semanas a fora, os intervalos na escola eu sempre passava com ele, e ele comigo. E aquilo me fazia muito, muito, mas muito feliz.
Eu estava o esperando já sentada, até que o Erik chegou e sentou ao meu lado ajeitando os cabelos. Pela primeira vez, eu tive a impressão que o coração dele se enchia de alegria como o meu, mas desta vez era uma como se fosse um sentimento mais intenso.
Ele não disse nada, e levou suas mãos sedosas no meu rosto, e o acariciou. Ele sussurou algo que dizia que eu era muito importante para ele, mais eu estava tão hipnotizada que não pude dizer o mesmo.
Nossos lábios se tocaram e nos beijamos intensamente. Quando acabamos, quase que automaticamente nos levantamos, e eu entrelaçei os meus dedos nos deles e saímos andando da sombra do ipê.

Um comentário:

  1. Depois dessa, vou plantar um ipê amarelo no meu quintal! Lindo!!! E Erik foi o primeiro menino que eu me apaixonei na 5ª série! Hoje ele deve ter ido embora para o Japão...

    ResponderExcluir